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VALÉRIA DE CASTRO FONSECA
( BRASIL - DISTRITO FEDERAL - BRASÍLIA)
Autora do livro de prosa poética os dias as estações os ventos (2019). Os Dias... tem apreciação de Nicolas Behr, Adriana Mariz e Maione Queiroz. Nicolas diz, “Poesia é para sentir e a poesia de Valéria já se sente na primeira linha”.
Para Adariana, minha poesia ”Mostra o interno e o externo.
O desfocado e o nítido. O quase abstrato.. o extra-real...”
Gratidão ao trio.
Colaboradora dramatúrgica da peça teatral Sonhares, do grupo Teatro do Instante-Artes Cênicas - UnB (2019).
Codireção do documentário em processo sobre o povo indígena Kamayurá, do Alto Xingu.
Bachael em Letras e Mestra em Comunicação Social pela UnB - Universidade de Brasília.
Pesquisadora jornalista (Ministério do Trabalho 8713).
Valéria de Castro Fonseca - Brasília, 10 de julho de 2025.
valfcastro@gmail.com
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COLETIVO DE POETAS: TRINTA E CINCO, A HISTÓRIA E O PO O EM MOVIMENTO, LEMBRA? / Organizado por Menezes e Moraes. Brasília: ACE, 2025. 200 p.
ISBN 97-65-87326-16-3. No. 10 970
RETRATO DE GAZA QUANDO CRIANÇA
vivo zumbi
em nanoátimos
sem ti, al´ard al´umu
mas que nada
já não mais a dor da carne dilacerada
me desprendi e sinto a queda
tão triste que insiste nesta rima
que falta
soando pedindo
cadeiras de plástico
sob bananeiras musicais
vazio
soltando os nós
vão em fendas
desejo anti
real desejo
na prática
da receita
trezentos gramas de abraço
trezentos gramas de abraço apertado
trezentos gramas de abraço muito apertado
e um beijo qublati,
NOME DOS NOMES
o luto da
terra perfura
as almas dos animais
humanos que pasmos ardem a
tanta indiferença do mundo blazê
tanta crueldade dos vizinhos a la nero
tanta covardia do podre poder liberal de si
tanta e tanto desta besta fera bimbin solto goela
abaixo pelas estreitas faixas dos semi esquartejados anjos
caídos neste mundo vil ela que eia! Ainda não nasceu o
breu que
invada a luz da resistência do casal perpétuo amor teu
nome amor teu
nome revolução teu nome dos nomes de tantos vossos
nomes marche!
IN
ouço o ruído do futuro, de águas turvas, insípidas,
inóspitas, incansáveis, irregulares. Mas hoje o que mais
quero é um beijo. De dar e de ganhar.
LIBERAL MORTAL E TAL
assim falava falava poucas palavras em frases frases de
três
linhas linhas de palavras ritmadas sincopadas aladas em
quimeras de si sem si por si
e assim se vive
em tempos de solidão on the rocks e depois tem a internet
tem o ruído tem
a fake tem o neomassacre sem fim tem o trem e tem o
nada
e falta
e assim se vive
em tempos de guerra pandêmica sem toque a seco e assim
segue sem que
sem porque sem com
e assim se vive
enquanto não se morre nestes tempos de liberal way of
living
genocídico
iningulível intragável inescrutável ave morte vida imposta a
a nós assim despidos de sermos gente
e assim se vive puramente na resistência e brotam e
seguem
fantasmas seguem vivos
ENTREMENTES
no vazio de interstícios
seguimos resvalando
em libertários pulmões
que pulsam a respiração do mundo
chamando: venham!
vamos juntos mergulhar
na via pública da vida
aguerridamente
resistentemente
comumente
amorosamente
entrementes
entes
nesta vida vinda
que abarca infinda
cada instante
de ser e de existir
que venha a noite clara
a penetrar nos dias
vazios metade cheios
CONTATOS IMEDIATOS COM
EMILY DICKINSON
sou um ponto! quem é você?
também um ponto?
ora pois, formamos um par
olhando nuvens! passageiras — é fato
mas atenção — diga não — aos pontos fakes!
caem nas redes — como moscas —
do real — reverso — tão
tão longe tão perto!
DOIS
Pato na lagoa
Cada um com seu qual
Mergulho nágua
PESSOA
COM
DEFICIÊNCIA
te vejo vida
assim — pura
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me vês errante
— amor
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Página publicada em abril de 2026
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